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Fernando Sugiyama
IA na prática · Orçamento

Preço de IA generativa não se estima, se mede. Errei 12× numa planilha.

Por Fernando Sugiyama · · 6 min de leitura

Toda proposta de projeto com IA generativa tem uma linha de custo. Imagem, vídeo, voz: tantos itens, vezes tanto por item, igual a tanto.

A conta fecha bonito. E está errada com frequência.

Eu fui o autor de uma dessas contas. Este texto conta o erro, o método que adotei depois e o que isso muda para quem vai orçar ou contratar um projeto com IA.

O erro de 12×

Em 3 de agosto de 2026 eu ia produzir um vídeo de vendas para um produto meu, feito de vários clipes gerados por IA. Montei o orçamento numa planilha. Para o preço de cada clipe, usei o de outro modelo que eu conhecia e fiz a analogia: parecido, deve custar parecido.

A estimativa era de cerca de US$ 0,40 por clipe. O vídeo inteiro estava orçado entre US$ 6 e US$ 9.

Antes de rodar o lote, gerei um clipe só e olhei o saldo da conta antes e depois. O clipe custou US$ 5,04.

Doze vezes mais que a planilha. Se eu tivesse soltado o lote inteiro, o vídeo sairia por perto de US$ 75, não US$ 6 a 9.

Não foi descuido de conta. A aritmética estava certa. A premissa é que estava inventada.

O mesmo fornecedor, 45× de diferença

Na mesma rodada de testes comparei duas variantes disponíveis no mesmo fornecedor. Mesma cena, mesmo prompt. Uma custou US$ 5,04 por geração. A outra, US$ 0,11.

São 45 vezes de diferença dentro de uma única loja. E o resultado do modelo barato foi aprovado em qualidade para o que eu precisava.

Esse é o ponto que a planilha não captura. Em IA generativa, “o fornecedor X cobra tanto” não existe como número único. Existe um preço por modelo, por variante, e dentro da variante por configuração: resolução, duração, com áudio ou sem. Mudar uma opção muda a conta.

Um exemplo medido em 29 de setembro: um clipe de 8 segundos em 1080p, sem áudio, no Veo 3.1 Fast da fal, saiu por US$ 0,80. O padrão do modelo liga o áudio, e o áudio encarece. Quem orça com a configuração padrão e entrega sem áudio (ou o contrário) erra sem perceber.

O método: medir 1 antes do lote

A regra que eu uso desde então cabe em três passos:

  1. Rode uma unidade real, com a configuração exata que o projeto vai usar.
  2. Leia o saldo antes e depois. O número da fatura ou da tela do fornecedor é o custo. Nada de estimar pelo que “deve” ter custado.
  3. Só então dimensione o lote. E registre o número medido junto com a data, o modelo e a configuração.

Se o custo medido estourar o esperado, eu paro e decido de novo. Não continuo “porque já começou”.

Isso parece óbvio. Na prática quase ninguém faz, porque a planilha dá uma sensação de controle que a medição não dá. Medir custa alguns centavos ou alguns dólares. Estimar errado custa o lote inteiro.

O risco piora quando a coisa roda sozinha. Se o processo roda de madrugada sem ninguém olhando, um preço 12 vezes maior que o previsto zera a carteira no terceiro item, e você descobre de manhã.

Três faixas: o caro só no que foi aprovado

A segunda parte do método é a ordem das iterações. Eu trabalho em três faixas de custo:

E imagem parada antes de vídeo, sempre. Errar um still custa centavos. Errar um clipe de vídeo custa dólares.

A comparação de 45× é a prova disso: aprovar no modelo barato e gastar o caro só onde faz diferença visível muda o orçamento de ordem de grandeza.

Escolha o fornecedor pela natureza do modelo, não pelo preço decorado

Eu uso três plataformas de geração: kie.ai, fal.ai e Replicate. A regra de escolha entre elas não é “qual é a mais barata”, porque preço decorado apodrece em semanas. É pela natureza do que preciso:

Esse último critério tem uma razão concreta. Das três, a fal foi a única em que encontrei catálogo e preço expostos por API, então dá para consultar o custo ao vivo em vez de manter uma tabela que envelhece. Na kie.ai e na Replicate, não encontrei preço exposto pela API. Esta é a minha experiência de uso, não uma garantia: confira a documentação de cada uma antes de depender disso.

Fornecedor sem teto de gasto

Aprendi mais uma coisa medindo. Na Replicate, quando testei, não achei um teto de gasto configurável: a cobrança vai para o cartão. E não achei um jeito seguro de “sondar” um modelo sem pagar.

Eu fiz um teste esperando um erro de validação. Enviei uma chamada com o corpo vazio, achando que viria uma recusa. Voltou 201 e criou um job cobrado, porque os modelos têm valor padrão para todo campo. Custou US$ 0,003. Foi barato, mas por sorte do modelo escolhido, não por proteção. Cancelar o job não devolve o que já foi consumido.

Na fal, outra pegadinha, também em setembro: montei o endereço de consulta de status de um modelo com subcaminho do jeito errado, tomei erro 405, e o job seguiu rodando e sendo cobrado sem eu ter o identificador para acompanhar. A correção é guardar o identificador da requisição antes de esperar e usar os endereços que o próprio envio devolve.

Nenhuma das duas é defeito grave. As duas mostram o mesmo: quando o fornecedor não impõe teto, o teto precisa estar do seu lado. Saldo pré-pago limitado, limite no cartão, um script que para quando o custo medido passa do combinado.

O que levar para a sua empresa

Se alguém te entregar um orçamento de projeto com IA generativa, faça três perguntas.

Esse preço foi medido ou estimado? Peça a data, o modelo e a configuração exata em que ele foi medido.

Qual é o teto de gasto, e de quem é? Se o fornecedor não tem teto, quem está executando precisa ter um, por escrito.

Qual é o plano se o custo medido vier maior? A resposta certa é parar e reorçar. A errada é seguir porque já começou.

Quem orça por planilha e quem orça por medição chegam a números diferentes. Quando os dois divergem, quase sempre quem tem razão é o que mediu.

Se você vai contratar ou orçar um projeto com IA e quer um orçamento com unidade medida, não estimada, vale conversar. Está tudo em /contratar/.

Fernando Sugiyama é empresário desde 2010 (Leox e Hutz) e desenvolve soluções com IA em produção para empresas: agentes de atendimento, automação com aprovação humana e software sob medida. Tudo o que escreve aqui roda primeiro nas próprias empresas.

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