Preço de IA generativa não se estima, se mede. Errei 12× numa planilha.
Toda proposta de projeto com IA generativa tem uma linha de custo. Imagem, vídeo, voz: tantos itens, vezes tanto por item, igual a tanto.
A conta fecha bonito. E está errada com frequência.
Eu fui o autor de uma dessas contas. Este texto conta o erro, o método que adotei depois e o que isso muda para quem vai orçar ou contratar um projeto com IA.
O erro de 12×
Em 3 de agosto de 2026 eu ia produzir um vídeo de vendas para um produto meu, feito de vários clipes gerados por IA. Montei o orçamento numa planilha. Para o preço de cada clipe, usei o de outro modelo que eu conhecia e fiz a analogia: parecido, deve custar parecido.
A estimativa era de cerca de US$ 0,40 por clipe. O vídeo inteiro estava orçado entre US$ 6 e US$ 9.
Antes de rodar o lote, gerei um clipe só e olhei o saldo da conta antes e depois. O clipe custou US$ 5,04.
Doze vezes mais que a planilha. Se eu tivesse soltado o lote inteiro, o vídeo sairia por perto de US$ 75, não US$ 6 a 9.
Não foi descuido de conta. A aritmética estava certa. A premissa é que estava inventada.
O mesmo fornecedor, 45× de diferença
Na mesma rodada de testes comparei duas variantes disponíveis no mesmo fornecedor. Mesma cena, mesmo prompt. Uma custou US$ 5,04 por geração. A outra, US$ 0,11.
São 45 vezes de diferença dentro de uma única loja. E o resultado do modelo barato foi aprovado em qualidade para o que eu precisava.
Esse é o ponto que a planilha não captura. Em IA generativa, “o fornecedor X cobra tanto” não existe como número único. Existe um preço por modelo, por variante, e dentro da variante por configuração: resolução, duração, com áudio ou sem. Mudar uma opção muda a conta.
Um exemplo medido em 29 de setembro: um clipe de 8 segundos em 1080p, sem áudio, no Veo 3.1 Fast da fal, saiu por US$ 0,80. O padrão do modelo liga o áudio, e o áudio encarece. Quem orça com a configuração padrão e entrega sem áudio (ou o contrário) erra sem perceber.
O método: medir 1 antes do lote
A regra que eu uso desde então cabe em três passos:
- Rode uma unidade real, com a configuração exata que o projeto vai usar.
- Leia o saldo antes e depois. O número da fatura ou da tela do fornecedor é o custo. Nada de estimar pelo que “deve” ter custado.
- Só então dimensione o lote. E registre o número medido junto com a data, o modelo e a configuração.
Se o custo medido estourar o esperado, eu paro e decido de novo. Não continuo “porque já começou”.
Isso parece óbvio. Na prática quase ninguém faz, porque a planilha dá uma sensação de controle que a medição não dá. Medir custa alguns centavos ou alguns dólares. Estimar errado custa o lote inteiro.
O risco piora quando a coisa roda sozinha. Se o processo roda de madrugada sem ninguém olhando, um preço 12 vezes maior que o previsto zera a carteira no terceiro item, e você descobre de manhã.
Três faixas: o caro só no que foi aprovado
A segunda parte do método é a ordem das iterações. Eu trabalho em três faixas de custo:
- Rascunho barato para testar ideia, enquadramento e roteiro.
- Médio para aprovar o que vai valer.
- Caro só no take aprovado.
E imagem parada antes de vídeo, sempre. Errar um still custa centavos. Errar um clipe de vídeo custa dólares.
A comparação de 45× é a prova disso: aprovar no modelo barato e gastar o caro só onde faz diferença visível muda o orçamento de ordem de grandeza.
Escolha o fornecedor pela natureza do modelo, não pelo preço decorado
Eu uso três plataformas de geração: kie.ai, fal.ai e Replicate. A regra de escolha entre elas não é “qual é a mais barata”, porque preço decorado apodrece em semanas. É pela natureza do que preciso:
- Modelo fechado e famoso (Veo, Seedance, Sora, nano-banana): kie.ai.
- Descobrir e comparar modelos, ou quando a latência importa: fal.ai.
- Modelo de nicho, open-weights, voz clonada ou treino próprio: Replicate.
- Empate: fal, porque ela diz o preço antes de eu gastar.
Esse último critério tem uma razão concreta. Das três, a fal foi a única em que encontrei catálogo e preço expostos por API, então dá para consultar o custo ao vivo em vez de manter uma tabela que envelhece. Na kie.ai e na Replicate, não encontrei preço exposto pela API. Esta é a minha experiência de uso, não uma garantia: confira a documentação de cada uma antes de depender disso.
Fornecedor sem teto de gasto
Aprendi mais uma coisa medindo. Na Replicate, quando testei, não achei um teto de gasto configurável: a cobrança vai para o cartão. E não achei um jeito seguro de “sondar” um modelo sem pagar.
Eu fiz um teste esperando um erro de validação. Enviei uma chamada com o corpo vazio, achando que viria uma recusa. Voltou 201 e criou um job cobrado, porque os modelos têm valor padrão para todo campo. Custou US$ 0,003. Foi barato, mas por sorte do modelo escolhido, não por proteção. Cancelar o job não devolve o que já foi consumido.
Na fal, outra pegadinha, também em setembro: montei o endereço de consulta de status de um modelo com subcaminho do jeito errado, tomei erro 405, e o job seguiu rodando e sendo cobrado sem eu ter o identificador para acompanhar. A correção é guardar o identificador da requisição antes de esperar e usar os endereços que o próprio envio devolve.
Nenhuma das duas é defeito grave. As duas mostram o mesmo: quando o fornecedor não impõe teto, o teto precisa estar do seu lado. Saldo pré-pago limitado, limite no cartão, um script que para quando o custo medido passa do combinado.
O que levar para a sua empresa
Se alguém te entregar um orçamento de projeto com IA generativa, faça três perguntas.
Esse preço foi medido ou estimado? Peça a data, o modelo e a configuração exata em que ele foi medido.
Qual é o teto de gasto, e de quem é? Se o fornecedor não tem teto, quem está executando precisa ter um, por escrito.
Qual é o plano se o custo medido vier maior? A resposta certa é parar e reorçar. A errada é seguir porque já começou.
Quem orça por planilha e quem orça por medição chegam a números diferentes. Quando os dois divergem, quase sempre quem tem razão é o que mediu.
Se você vai contratar ou orçar um projeto com IA e quer um orçamento com unidade medida, não estimada, vale conversar. Está tudo em /contratar/.
Fernando Sugiyama é empresário desde 2010 (Leox e Hutz) e desenvolve soluções com IA em produção para empresas: agentes de atendimento, automação com aprovação humana e software sob medida. Tudo o que escreve aqui roda primeiro nas próprias empresas.
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